domingo, 12 de setembro de 2010
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Nova geração
Boa parte dos países latino americanos, inclusive o Brasil, vive a aproximadamente 25/30 anos livre de sistemas políticos autoritários.
Pensando assim, eu, que tenho 27 anos, nasci justamente quando se tornou possível escolher através do voto quem assume os cargos de gerência de algumas instituições públicas.
Meu pais e seus antepassados viveram praticamente todo o tempo sob regimes ditatoriais autoritários que agiam diretamente sobre as instituições de ensino, definindo sua estrutura, seu currículo e tentando esmagar qualquer manifestação intelectual ou cultural que questionasse o que estava estabelecido.
Sendo assim, as instituições de ensino hoje são dirigidas e boa parte de seus funcionários são frutos desta época.
Por isso que eu acho tão difícil discutir questões relativas a organização da escola e dos espaços de aprendizagem, dos currículos ou da necessidade deles, da participação popular dentro do cenário político e de gestão de espaços coletivos e da democracia de uma forma geral.
A política eleitoreira que temos hoje, expressa neste modelo de democracia representativa é uma anedota. A fama, a propaganda, a celebridade são as diretrizes da maioria das campanhas. Se for feito um raio x com as coligações partidárias fica bem difícil salvar algum candidato.
Ao mesmo tempo alguns dispositivos legais e espaços subversivos foram e estão sendo criados, e com o suporte das novas tecnologias, hoje é possível agir, se conectar, aprender sem depender de uma instituição, mas ainda não existem ferramentas para todos.
Represento parte de uma geração criada inteiramente sem uma ditadura, que ainda sofre suas sequelas, principalmente em relação a estrutura bur(r)ocrática que estamos mergulhados, mas que pode se mover, criar, resgatar, recriar.
Como exemplo vejo a educação e algumas tecnologias que hoje se desenvolvem de forma livre, sem regulação, experimentando o velho e o novo, sem a definição do que é certo ou errado, sem fórmulas, construindo uma experiência a partir de novas vivência e da possibilidade de resgate de culturas antigas hoje disponíveis na rede.
Tanto de dentro quanto de fora do "sistema" é possível criar os dispositivos de subversão. É preciso ocupar os cargos públicos e propor a qualidade e ao mesmo tempo criar novos espaços, novas propostas ou legitimar propostas e espaços marginalizados que contém a qualidade.
Penso no meu caso, que descobri a agroecologia, a permacultura e a educação libertária a menos de 5 anos, e hoje essa idéias transformaram minha vida, minha rotina, minha casa e meu trabalho além de ter se construído uma rede maravilhosa que desenvolve ainda mais estas ideias.
Quando meus filhos nascerem vivenciarão uma casa com um quintal agroecológico, um banheiro seco, um telhado verde, conhecerão as experiências do meus irmãos que estão nesse caminho, entrarão em contato com as ideias da educação libertária e sabe Deus o que mais os aguarda.
Sem fechar os olhos para os problemas eu continuo acreditando que as coisas vão melhorar.
segunda-feira, 17 de maio de 2010
sexta-feira, 14 de maio de 2010
"Aquele que ensina"
Pelo menos em algumas área, não se utilizava uma estrutura hieraquizada e produzida para o aprendizado de um "conteúdo".
Se alguém queria ser um marceneiro ou sapateiro ou outro ofício qualquer, essa pessoa procurava uma pessoa mais experiente no assunto, ou um mestre e o acompanhava em sua rotina.
A prática e a observação de uma pessoa fazendo era a base da aprendizagem e a técnica se desenvolvia de forma natural e adaptada às condições de cada um.
As intituições de ensino criaram o papel do professor ou "aquele que vai ensinar um conteúdo a outros que não sabem".
O que se vai aprender não está mais relacionado com o que se quer aprender e o para que se vai aprender.
Os próprios professores muitas vezes não praticam ou utilizam o conteúdo que "ensinam".
Enquanto as questões aparecem na vida de forma real, e transdisciplinar, demandando conhecimentos, as instituições tratam o conhecimento de forma fragmentada e desligada com o mundo real.
O conhecimento se torna virtual, sem consistência, e serve desta forma para a construção de um "curriculo", que legitima o conhecimento que teria sido desenvolvido e mantém um status de "conhecedor", formado no ensino médio, ou geógrafo, ou engenheiro.
Quando se consegue um trabalho real temos que aprender, através da prática e da observação como se faz.
É um sistema que gasta energia e torna o aprender muito mais demorado, ineficaz e muito menos prazeroso.
sexta-feira, 7 de maio de 2010
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Geografia e planejamento territorial.
O acúmolo, a centralização de funções, pessoas, oportunidades e desigualdade é semelhante a proposta de acumulação de capital pela economia.
A megalópole, as metrópoles na minha opinião serão substituidas, seja por um planejamento seja pelo caos que irá destruir suas estruturas.
Nosso modelo de consumo também tem reflexos no planejamento territorial. A lei de mercado atropela os planos diretores e a cidade constroi cada vez mais prédios, lotei cada vez mais casas pressionando todo o sistema urbano e as áreas com cobertura florestal que restaram.
As catástrofes que ocorreram não são uma surpresa, os problemas com transporte não são inesperados assim como a falência de cada elemento da infra estrutura das cidades. As soluções vem a partir de um pensamento macro economico e político e servem para cavar um buraco para utilizar a terra para tapas outro buraco.
A paz, essa paz tão sonhada não será conquistada com passeatas ou entrepostos militares em áreas pobres. Ela será conquistada com justiça e uma educação que valorize a colaboração ao invés da competição.
O movimento de saída das metrópoles já começou para algumas pessoas. Em alguns casos de uma forma romântica ou covarde, em busca da terra prometida e fugindo do "stress" da cidade. Não existe nenhum lugar onde o trabalho não custe o suor do rosto e não adianta sair da cidade para reproduzí-la em outro lugar.
Existem pessoas saindo com outro nível de consciêcia, buscando uma nova proposta de vida e de participação social. Centros se espalham pelo mundo como uma grande rede de transformação das vivências. Eles atuam inclusive dentro das cidades, subvertendo-as, criando novos dispositivos para se viver de outra forma.
A fórmula é a não fórmula. Trabalhar com as demandas de acordo com cada situação. Lógico que a experiência é valiosa, valiosa demais eu diria, mas ela deve ser um processo em constante tranformação.
Deixem os pessimistas reclamarem e se conformarem com a vida mediucre de consumir e morrer. Vamos na luta, viveremos uns cem anos, comparado a história da humanidade é menos de um segundo, muito pouco tempo para disperdiçar pensando que não vai dar certo. Se vai ou não ninguém que está vivo hoje vai saber então prefiro continuar insistindo que vai dar certo e que eu farei parte desta conquista.
domingo, 17 de janeiro de 2010
A casa
Ela foi consruída com um telhado vivo
E dois sanitários ecológicos do tipo Bason


Além disso estamos produzindo alimento no quintal





Existem desafios para manter a casa como, evitar o ressecamento do telhado, mater o sanitário isolado, conter minha cadela para não destruir as plantas, preparar os alimentos para evitar que eles estraguem, separar e encaminhar o lixo, etc.
Muitas ideias estão sendo ainda encaminhadas como o galinheiro e a horta.
Ainda bem que conto com a ajuda de muitos amgos e familiares, que trabalham conosco em mutirões e doam energia positiva para o nosso lar.
Juntos estamos construindo uma "comunidade alternativa urbana" onde todos se ajudam trocando o que produzem, ideias, afeto, trabalho e alegria.
Relatórios e reflexão, o que aconteceu em 2009?
Escrevi os relatórios de algumas crianças com quem trabalhei e neste momento estou escrevendo o relatório do Raizes e Frutos .
Meu trabalho deste ano foi bem intenso, muita emoção, aprendizado e superação.
Estou bem feliz tanto com os resultados do trabalho quanto das perspectivas que se abriram.
Algumas coisas ficaram marcadas para mim:
Como alcançar a autonomia? É um processo profundo de reconstrução, pois nossa vivência nas instituições de ensino em geral inibem o desenvolvimento desta qualidade. Desejar que o outro se torne autônomo, ajudá-lo a conseguir se tornar autônomo já é uma condição paradoxal. Eu prefiro a autonomia, mas existem aqueles que preferem se esconder se submetendo a uma autoridade que dirá o que tem que ser feito. É muito mais cômodo criticar a autoridade do que assumir uma responsabilidade, pelo menos aparentemente.
Como trabalhar coletivamente? Conciliar emoções, opiniões e formações diversas em uma equipe de trabalho é um grande desafio. Abrir o grupo a entrada de novos integrantes sem critério? Deixar que cada um cuide do que bem entender? Ou definir um plano de trabalho flexível e integrar novas pessoas ao grupo de forma criteriosa? O trabalho coletivo para mim é importante e na minha opinião a liberdade significa acima de tudo responsabilidade por isso quem quer trabalhar junto precisa saber com o que e com quem pode contar.
O ano de 2010 ainda é para mim um mistério. Visualizei alguns caminhos e outros já comecei a trilhar, mas tenho a sensação de que meu trabalho este ano será bem diferente, com mais responsabilidade, mais frutos e transformações.
Enquanto eu puder o meu trabalho será direcionado para atingir meus sonhos de ver um mundo melhor, e o meu instinto diz que eu vou conseguir viver trabalhando desta forma, por mais difícil que isso venha a ser.
quinta-feira, 28 de maio de 2009
Tecnologia e tradição.
Acho essa perspectiva pouco construtiva.
Acredito que toda inovação tecnológica ou artística provém não de uma capacidade individual, mas de uma atmosfera que permite que ela ecloda. É como se diz: ninguém cria a arte, a arte se manifesta através de você.
Tanto é que algumas "invenções" como a luz, o avião e a escrita tem sua autoria questionada porque em diversas regiões elas ocorreram mais ou menos ao mesmo tempo.
Por isso o passado não deve ser um elemento paralisante, de forma que se tenha que mantê-lo a qualquer custo, mas de forma nenhuma descartado.
Assim como acontece nos ecossistemas, as melhores ideias e ações vão permanecendo, sendo selecionadas, sofrendo mutações e muitas vezes não é preciso gastar energia para inventar o que já existe e funciona bem.
No caso de comunidades que trabalham com a pesca por exemplo:
O conhecimento desenvolvido a cerca dos ciclos ecológicos que envolvem os ecossitemas marinhos foi construído ao longo de muitos anos, muitas pessoas, muitas vivências. Este é um conhecimento inestimável e deve ser considerado tão legítimo quanto o conhecimento científico, que "prova" suas teorias a partir de estatísticas.
Isso não significa negar a ciência, significa transformá-la, tirá-la do pedestal de conhecimento legítmo, reconhecido por lei até para abrir as portas da ciência para esse conhecimento popular.
A ciência pode contribuir e muito para que a sociedade funcione melhor, se ela fizer parte desta sociedade, viver seus problemas, aprender com as experiências pensar nos números e nas prosas, assim com qualquer pode contribuir também.
quinta-feira, 9 de abril de 2009
Higiene e estética, quanta contradição.
Vou colocar dois exemplos para ver se consigo cristalizar meus pensamentos.
O primeiro é o do desodorante. Desodorante é um produto químico para evitar odores. No meu caso, quando criança eu não tinha nenhum odor nas axilas. Achava legal o meu primo mais velho usar desodorante, ficar perfumado e usei também. Não sei se é a causa direta, mas fato é que depois disso eu passei porque se não fico com um odor desagradável debaixo do braço.
Meu pai nunca usou desodorante na vida. Ele é um grande corredor, e quando chega da corrida totalmente suado não está com nenhum cheiro desagradável. Podem ser apenas fatos isolados da minha experiência pessoal.
Fato é que o desodorante não é um produto de higiene pessoal. Inclusive segundo diz no wikipedia sobre desodorantes , os denominados antitranspirantes podem causar inflamações.
É um produto que tem mais haver com a estética do que coma higiene, mas quem não usa desodorante é um porco?
O segundo é a descarga do vaso sanitário. Um ser humano segundo este site produz de 400 a 500 gramas de fezs por dia. E segundo este outro site no caso das descargas mais nonas gastamos 6 litros de água por cada vez que usamos. Isso sem falar na descarga que acionarmos para nos livrarmos da urina, que é ainda mais frequente geralmente.
Então eu pergunto é inteligente e higiênico diluir 400 ou 500 gramas em 6 litros?
E para onde vai este material? Quanto mais é gasto até o fim do tratamento (isso quando é tratado e não jogado diretamente em um curso d'agua)?
Existem outras alternativas como o banheiro seco, que não utiliza água e transforma as fezes em adubo ou o biodigestor que além do adubo produz metano utilizável. Algumas pessoas que converso só de pensarem em lidar com este tipo de coisa se sentem enojadas e realmente não acreditam que isso sim seria uma atitude higiênica.
Higiênico deveria ser aquilo que promove a saúde pessoal e ambiental .
sábado, 21 de março de 2009
Novas tecnologias de localização.
Pensar que eu posso ter acesso a mapas do mundo inteiro, com uma ferramenta de busca por endereços como é o caso de programas e sites como Google earth ou Google maps permite que com apenas alguns dados eu consiga visualizar todo o percurso da minha casa até quase qualquer lugar do mundo.
Mesmo assim alguns lugares são menos privilegiados do que outros em relação a esse serviço de acesso aos mapas.
Minha dúvida é se esse lugares são representados com uma definição pior porque ainda não se tem dados cartográficos sobre a região ou se eles não são representados por que não é conveniente para algum grupo.
Digo isso porque para as comunidades isoladas que realmente seriam beneficiados com esses dados, este instrumental geralmente é precário.
Até acredito que é difícil obter dado de toda a amazônia por exemplo, mas dentro do estado do Rio de Janeiro, em uma região de conflito fundiário entre mega empresários e Caiçaras, na Península da Juatinga será que estes dados ainda não foram coletados ou simplesmente deixou-se aquele borrão?
terça-feira, 17 de março de 2009

Imagens de satélite de Marte. Realmente é uma obra de arte, todo colorido. O que mais me impressionou foi a geomorfologia marciana. As feições sugerem canais fluviais.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
Poema
um outro tolo,
um troco no bolso,
um sorriso no rosto.
Singelo sorriso,
o sol amarelo,
moleque magrelo,
esperto, espero.
Outro dia levanta,
levando a vida,
lavando a alma,
ainda amando.
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
Efeitos de borda e aproveitamento de potencialidades.
Inspirados nestas reflexões fizemos na Moleque de idéias uma programação usando o software Stagecast.

Se quiser experimentar a simulação clique na imagem.
As pesquisa indicam que a forma da clareira é um elemento importante para potencializar a recuperação ou degradação da área, e da mesma forma verificamos isso em nossa programação.
A borda é o ambiente de transição, de mudança, é onde existe a potência de trasnformação.
O processo tanto de degradação quanto de recuperação natural de áreas degradadas começa pelas bordas. Por isso acredito que ao pensar em uma intervenção, no caso um plantio por exemplo, ou algum projeto de recuperação de áreas degradas, deve-se buscar este padrão.
Aproveitar o potencial das bordas. Pode ser feito criando circulos de fertilidades, um ao lado do outro, ou observar outra borda e estimulá-la, intervir nestes espaço de transformação e energia potencial.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
Sociobiodiversidade?
Parece um termo associado a um produto que, além da valorização e preocupação com a sustentabilidade ambiental, também se preocupe com a sustentabilidade cultural.
A proposta se apresenta com uma roupa bonita, ética, justa...
Resta saber se será mais um discurso, como já ouvimos tantos do tipo: eco resort, eco condomínio, eco qualquer coisa, ou então a agenda 21 ou o próprio conceito de sustentabilidade, e por ai vai.
Todos estes conceitos tiveram em sua origem idéias boas, que foram apropriadas pelo discurso capitalista e se transformaram em produtos.
A fagositose capitalista dos conceitos é impressionante.
A idéia de que é possível uma sociedade convivendo com o ambiente de forma harmônica permanece. O problema é tapar o sol com a peneira. Colocar espécies exóticas ornamentais no jardim ou na frente do condomínio está a milhares de quilômetros do que é viver de forma harmônica.
Temos então termos desgastados, pessoas desiludidas e discussões acadêmicas para definir o que todos sabem o que é na real.
Mas vamos lá. Eu, a princípio, prefiro pensar na sociobiodiversidade como uma preocupação com a cultura intrísecamente ligada a um lugar, um ambiente. Prefiro escutar o que essa cultura tem a me dizer. Prefiro que ela apresente, discuta e evolua suas formas de se relacionar com o ambiente. E tento aprender e aplicar onde posso.